| HISTORIAL
(Discurso do presbítero Agostinho Soares no fecho da celebração do 70º aniversário da Assembleia de Deus Pentecostal do Porto, no dia 22 de Fevereiro de 2004)
Celebramos o 70º aniversário da Assembleia de Deus Pentecostal do Porto relativamente ao dia em que os Estatutos deram entrada no governo Civil do Porto. Porém, a exemplo de uma criança que nasce e só depois é registada, também esta Igreja nasceu, sendo registada posteriormente.
Poder-se-á dizer que a Assembleia de Deus Pentecostal do Porto nasceu em 1932, ou seja, na altura em que o pastor evangélico Daniel Berg abriu ao público um salão na rua da Prelada, nº 117, aqui no Carvalhido, embora alguns crentes já viessem de outro lugar. Nos anos seguintes elaboraram-se os Estatutos que deram entrada no Governo Civil do Porto no dia 19 de Fevereiro de 1934. É essa a data que consideramos e celebramos relativamente à cidade do Porto, embora o movimento “Assembleia de Deus”, tenha já mais de 90 anos em Portugal.
A Igreja foi crescendo e em 1936 já constituía um bom grupo, como se poderá constatar através de fotografias da época. A certa altura a igreja cresceu mais para Norte, para o lado da Senhora da Hora e Guifões, embora a sede continuasse sempre na cidade do Porto. Actualmente, contamos com 13 casas de oração abertas ao público, sendo 4 na cidade e as restantes no Grande Porto.
Como cristãos evangélicos que somos, pregamos o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e temos a Bíblia como única regra de fé. Acreditamos que a Palavra de Deus é fundamental para a renovação do homem interior, o que corresponderá a uma melhoria substancial da vida humana, não só com vista ao além-túmulo, mas também para este tempo à face da Terra.
A Assembleia de Deus também não tem esquecido a Obra Social. Sem a pretensão de se transformar exclusivamente numa instituição de beneficência, deixando de lado a Palavra de Deus, esta Igreja tem trabalhado com toxicodependentes no Café-Convívio e com pessoas da Terceira Idade no Lar da Senhora da Hora, como teremos ocasião de ouvir um pouco mais adiante. O trabalho com reclusos nos presídios iniciou-se em 1979 sob a liderança do irmão José Abel Lucas Novo.
A Assembleia de Deus Pentecostal do Porto, ao longo destes 70 anos tem tentado fazer o melhor, dentro das suas limitadas possibilidades e dos seus parcos recursos. Tentamos cumprir os propósitos divinos, difundindo o Evangelho e ajudando os necessitados, dentro da legalidade, respeitando as autoridades, a ordem e a lei deste país. Não nos envergonhamos quanto a esse aspecto. Aliás, também não nos envergonhamos do Evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, como dizia o apóstolo Paulo. Oramos pelo nosso país, pela nossa cidade, pelas autoridades instituídas e por tudo damos muitas graças a Deus! Muito obrigado!
RECUANDO NO TEMPO
Por volta de 1930 havia um movimento pentecostal no Porto que possuía três casas (particulares) de oração. Uma situava-se no Bairro Leal do Bonjardim, outra no Bairro do Barredo (Ilha do Trinta) onde duas irmãs suecas, Marta e Elisabeth, pregavam o Evangelho, antes de se ausentarem para as colónias portuguesas em África. A terceira casa de oração situava-se já em Vila Nova de Gaia, mais precisamente na Calçada da Serra.
Este movimento pentecostal ter-se-á iniciado, possivelmente, em 1925. Terão passado por aqui vários missionários, não só estrangeiros, mas também portugueses, incluindo o pioneiro José de Matos Caravela. Um elemento concreto é que no dia 29 de Agosto de 1926, realizou-se o primeiro culto de baptismos, o que se pode verificar pela ficha de cinco irmãos registados no ficheiro geral da Assembleia de Deus. Possivelmente, outros mais seriam baptizados, mas que não vieram a pertencer à nossa Igreja.
Em 1932, algum tempo depois da chegada do pastor Daniel Berg (de nacionalidade sueca) deu-se uma cisão no seio da Igreja Pentecostal onde se reuniam. A maioria, pouco mais de 10 crentes, partiu para o Carvalhido, mais precisamente, rua da Prelada nº 117, cuja casa de oração foi alugada pelo pastor Daniel Berg. Os outros crentes ficaram com o irmão Domingues no Bairro Leal do Bonjardim. Creio que um dos motivos da cisão seria o facto de Daniel Berg valorizar mais a Bíblia e a mensagem pregada do que os testemunhos pessoais (bênçãos recebidas) narrados durante o culto.
Poder-se-á dizer que o ano de 1932 marca o arranque da Assembleia de Deus Pentecostal do Porto, numa altura em que a casa de oração da Prelada é aberta ao público pelo pastor Berg. Todavia, somente no dia 19 de Fevereiro de 1934 é que os estatutos da Igreja dão entrada no Governo Civil do Porto. Na parte final, os ditos estatutos mencionavam o nome de 17 membros. Um desses nomes é o de Alice Pereira da Silva, a nossa irmã que, graças a Deus, ainda se encontra no nosso meio.
A Igreja continuou a crescer. Uma das fotografias tiradas em 1936 mostra um número superior a 60 pessoas em frente da casa de oração da Prelada, incluindo crianças, jovens e adultos.

Em 1934 assume o pastorado o irmão Holger Backstrom, sendo substituído em 1939 pelo pastor Plácido da Costa. Este servo de Deus já se encontrava a trabalhar na Igreja antes de assumir a responsabilidade.
Outros pastores se seguiram. Artur Rodrigues (1950), Rogério Pereira (1952) e João Sequeira Hipólito em 1958. Com o pastor Hipólito a Igreja atingiu uma nova dinâmica, abriram-se mais oito casas de oração e foi alugado o salão do Carvalhido (1961) que ainda continua como sede da mesma.
Seguiram-se outros pastores como João Chasqueira (1966), Casimiro das Neves (1972), Vieito Antunes (1989) António Almeida (1999), José Faria (2001) e José Carlos (2003). Além destes pastores presidentes passaram outros que desempenharam funções de co-pastores como Israel Cóias e Manuel Moutinho.
Damos muitas graças a Deus por todos estes Seus servos e por muitos outros não mencionados que também se esforçaram na Sua Obra!
|